Maria das Neves Felipe, mais conhecida como Dona Neném,
nasceu no dia 15 de abril de 1927 e já por volta dos doze anos começou a
trabalhar com argila, inicialmente fazendo cavalinhos. Em seguida, tornou-se
aprendiz de Antônio Soares, primeiro alisando as peças que o mestre fazia e,
depois de adquirir experiência suficiente, logo passou a fazer as próprias
peças, se dedicando especialmente ao acabamento, dando mais atenção à fase de
alisamento da peça. De tal forma que logo foi possível diferenciar as peças
dela das de Antônio Soares, em virtude principalmente da destinação que cada um
pretendia que fosse dada às suas peças. Enquanto o mestre se dedicava a peças
voltadas para o utilitário – daí o Galo Branco ter surgido como uma bilha para
armazenar água – Dona Neném buscava a perfeição no trabalho, voltando seus
esforços para a cerâmica decorativa.
Depois da morte de Antônio Soares, Dona Neném continuou a feitura
do Galinho tal como tinha aprendido e desenvolvido sob a orientação do mestre.
E mesmo o Galo tendo sido “descoberto” quando ainda era feito por S. Antônio,
com o passar do tempo a peça foi tomando a identidade que Dona Neném lhe
atribuiu de uma forma tal que hoje já não se atribui a criação da peça ao
mestre, sendo identificado apenas como “Galinho de Dona Neném”. O que, é
preciso que se diga, não trouxe grandes mudanças na vida desta, que é tida como
uma das personalidades da cidade de São Gonçalo do Amarante. Dona Neném não
teve filhos, mas ensinou tanto a modelagem quanto a pintura em argila aos
sobrinhos, que até hoje são ceramistas. Seu Paulo hoje é responsável pela
primeira fase do processo, que é fazer os Galinhos de barro, e Dona Miraci – segundo
ela própria - assumiu a tarefa de pintá-los tanto com os azuis e branco de sua
pintura portuguesa, quanto de branco à maneira que sua tia aprendeu com Antônio
Soares e aperfeiçoou, com flores vermelhas no lugar das asas.
FONTE - LEÍZE MARIA DOS SANTOS DE SÁ


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